Opinião

A linguagem como instrumento de dominação política

Por Rodrigo Silva Jardim

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A linguagem como instrumento de dominação política
Há de forma deliberada um desprestígio ao livre pensar, entretanto buscar a causa de determinados fenômenos sociais que inundam nosso cotidiano, fazendo com que um eremita distante de nosso modo de vida ao entrar em contato com a realidade vigente ficasse embasbacado pelo porquê de tamanha loucura que assola a humanidade.
Este mundo doente, sem orientação, disperso não chegou ao seu ponto atual por mero acaso, foi projetado para tal fim e antecedido pelo modernismo, onde os debates seguiam mesmo que de forma difusa alguns momentos em direção à verdade e realidade, tendo como pano de fundo a razão, beleza e o progresso, pois havia uma sensação clara de direção em mares revoltosos do pensamento.
De acordo com esse cenário, a pergunta que não quer calar toma forma: Onde foi que o Ocidente se perdeu? Por que desistiu da vanguarda dos acontecimentos que oportunizaram o crescimento exponencial, nas ciências, na economia, trazendo a afluência deste desenvolvimento para algumas sociedades?
O crescimento da riqueza e o consequente avanço da medicina com a descoberta da vacina contra a varíola em 1796, arrefecendo o maior assassino do século XVIII, da mesma forma dando origem à ciência da imunização é um de tantos exemplos de desenvolvimentos advindos da pujança de indivíduos que ousaram pensar, valorizando à vida em sociedade.
Nesse contexto caótico que descreve o atual momento é a condição paradoxal a qual vivemos, pois elementos basilares de uma sociedade como ordem e hierarquia parecem estar completamente alijados do processo em curso, seja pela ausência de liberdade dos indivíduos que usando a única arma em suas mãos que é a rede social, são assediados pelo Estado, regido pelo constrangimento travestido de democracia, atuando, por meio de ameaças e pressões arbitrárias.
O exercício da dominação política é autoritário com fundamentação filosófica advinda do pós-modernismo, porque onde tínhamos a raiz/profundidade, agora impera rizoma/superfície, onde havia hierarquia agora temos a anarquia e de fato não há um esforço aberto para sustentar a continuidade de valores, crenças, rejeitando as metanarrativas.
Essa revolução nasce na academia e distante das realidades da existência diária, com implicações profundas na maneira pela qual interagimos com o mundo e com os outros, ou é considerado normal um ser humano se identificar com um quati e agir como tal?
Para os adeptos desta teoria é necessário a captura e posterior destruição das narrativas conservadoras, porque na visão deles ela é atávica e leva a sociedade a um retrocesso sem precedentes, comprometendo o ideário despótico tendo como instrumento de dominação a tecnocracia que até mesmo o sonho do controle do pensamento não é devaneio utópico, mas uma realidade que pode estar logo ali na esquina dos acontecimentos.
Em síntese, vivemos em um simulacro com a fabricação de ideias radicalmente céticas em que a linguagem, poder e conhecimento são construções sociais opressoras a serem explorados pelos poderosos, entretanto o discurso das minorias oprimidas já é hegemônico, influenciando e dominado os programas educacionais, às ciências sociais com conteúdo transmitidos por ativistas, pela mídia, resultando em uma difusão de informações acessíveis ao público em geral.
Mas dado o contexto caótico parece não haver saída para a situação descrita, no entanto a retomada do protagonismo da sociedade está em dar o primeiro passo que é tomar conhecimento das regras do jogo, elucidando e antecipando jogadas que serão dadas pelo antagonista, mas para agir e não somente reagir é necessário ter o entendimento básico do problema que envolve a situação caótica, pois as ideias tem consequência.

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